top of page

Prevenção ao HIV investe na linguagem gauchesca em ação no Acampamento Farroupilha

há 1 dia
3 min de leitura

Diante dos índices de HIV/Aids no Rio Grande do Sul, ONG Somos levou materiais de prevenção ao público do evento em Porto Alegre


Ação da ONG Somos chegou ao Acampamento Farroupilha | Foto: Ana Carolina Wust
Ação da ONG Somos chegou ao Acampamento Farroupilha | Foto: Ana Carolina Wust

Porto Alegre enfrenta um cenário que chama atenção para a prevenção ao HIV/Aids. Em 2024, a capital concentrou 43% dos novos casos registrados no Rio Grande do Sul, somando mais de 1,3 mil diagnósticos, enquanto 1,64% da população da Região Metropolitana vive com HIV. Porto Alegre também apresenta o maior número de mortes por Aids entre as capitais brasileiras. Os dados reforçam a necessidade de ampliar o acesso à informação, à testagem e aos diferentes métodos de prevenção.


O contexto também evidencia que o HIV não está restrito aos grupos historicamente associados à epidemia. Conforme dados do Grupo Hospitalar Conceição, 84% das pessoas que descobrem o HIV já em estado avançado em Porto Alegre são heterossexuais, e um em cada quatro diagnósticos ocorre durante uma internação decorrente de outro motivo. Na Região Metropolitana, estudo realizado com mais de 8 mil pessoas em 56 municípios apontou características de uma epidemia generalizada.


“Nos últimos anos a gente tem visto cada vez menos campanhas públicas que dialoguem diretamente com a população sobre a importância da prevenção ao HIV e a Aids. E por isso acreditamos que é importante que em todos os lugares possamos fazer uma conversa franca, aberta e sem vergonha.” Caio Klein, Diretor Executivo da ONG Somos.

Foi a partir desse contexto que a ONG Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade levou a campanha “Essa façanha a gente faz junto” ao Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre. Durante a ação, realizada em 17 de setembro, integrantes da organização circularam pelo evento para distribuir materiais informativos e de prevenção desenvolvidos especialmente para dialogar com o público a partir de elementos da cultura e da linguagem gaúcha.

Integrantes da organização dialogam com o público sobre prevenção | Foto: Ana Carolina Wust
Integrantes da organização dialogam com o público sobre prevenção | Foto: Ana Carolina Wust

Com frases como “Brabo é quem se cuida”, “Se cuidar é uma baita barbada” e “Prevenir o HIV é tarefa de toda a gauchada”, os materiais relacionam o cuidado com a saúde a referências presentes no imaginário regional. Entre eles, uma camisinha para cuia de chimarrão foi entregue acompanhada de um preservativo, utilizando o duplo sentido da palavra “camisinha” para aproximar, de forma bem-humorada, a tradição gaúcha da prevenção ao HIV. O material também apresenta informações sobre testagem, PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e PEP (Profilaxia Pós-Exposição), além de um QR Code que direciona para conteúdos complementares e serviços disponíveis em Porto Alegre. 


Material que une a linguagem gaúcha à prevenção ao HIV | Foto: Ana Carolina Wust
Material que une a linguagem gaúcha à prevenção ao HIV | Foto: Ana Carolina Wust

“Escolhemos o Acampamento Farroupilha porque acreditamos que a prevenção ao HIV precisa estar próxima das pessoas, nos espaços que fazem parte da suas realidades e da sua cultura. A criação dos materiais com expressões da linguagem gaúcha foi uma forma de aproximar esse diálogo da nossa identidade, falando de cuidado e prevenção de um jeito acessível e direto. É por isso que estamos aqui: para conversar sobre HIV sem floreios, quebrar barreiras e reforçar que a prevenção é uma tarefa de todo mundo.” Louise da Campo, Coordenadora de Comunicação.

Ao longo da atividade no Acampamento Farroupilha, a ação priorizou a aproximação e o diálogo com o público. Mais do que distribuir uma grande quantidade de materiais, a proposta foi utilizar a entrega como ponto de partida para conversas sobre HIV, prevenção e cuidado, criando oportunidades de troca e esclarecimento de dúvidas.


Durante as abordagens, Eduarda Guedes, membro da ONG Somos e participante da ação, apontou que foi possível perceber o interesse e a curiosidade das pessoas, especialmente diante de dados sobre quem vive com HIV, muitas vezes pouco conhecidos pela população. Para ela, as interações evidenciaram a importância de promover espaços de diálogo sobre sexualidade e prevenção de forma acessível e aberta. A receptividade e as trocas estabelecidas foram os principais indicadores dos resultados da iniciativa. 


A entrega dos materiais abriu espaço para conversas sobre HIV, prevenção e cuidado | Foto: Ana Carolina Wust
A entrega dos materiais abriu espaço para conversas sobre HIV, prevenção e cuidado | Foto: Ana Carolina Wust


“Durante as abordagens, percebemos o interesse das pessoas, especialmente quando apresentávamos dados sobre quem vive com HIV, informações que ainda não são amplamente conhecidas pela população. Essas conversas contribuíram para ampliar o diálogo sobre prevenção e ajudar a romper com o silêncio e os estigmas que ainda cercam o tema”. Eduarda Guedes – integrante da ONG Somos e participante da ação 

A presença no Acampamento Farroupilha buscou levar a discussão sobre prevenção para um espaço de grande circulação e relacionado diretamente às tradições do Rio Grande do Sul. Ao inserir o tema nesse contexto, a iniciativa reforça a mensagem central da campanha: a prevenção ao HIV é uma questão coletiva e pode fazer parte das conversas e dos espaços cotidianos da população.



Texto: Ana Winter


Comentários


bottom of page