O que está em jogo quando a gente vota?
Entenda as responsabilidades de cada cargo que estará em disputa em 2026

Pessoa deputada federal
É responsável por representar a população em Brasília, na Câmara dos Deputados, onde discute, propõe e vota projetos de lei que valem para o país inteiro, além de apresentar emendas para o direcionamento de verbas públicas a projetos e ações. Ou seja, suas decisões podem contribuir para que nossos direitos avancem ou retrocedam.
Pessoa deputada estadual
Atua na Assembleia Legislativa com foco em temas regionais, votando leis estaduais, fiscalizando a administração pública e acompanhando o uso de verbas do governo estadual em áreas como segurança, educação e saúde. No Distrito Federal, essa função é exercida pela pessoa deputada distrital, na Câmara Legislativa.
Pessoa senadora
Representa seu estado ou o Distrito Federal no Senado, participa da elaboração das leis federais e do julgamento de determinadas autoridades por crimes de responsabilidade, além de votar indicações para cargos como os do Supremo Tribunal Federal e de direção de determinados órgãos federais.
Atenção! Em 2026, votaremos em duas pessoas diferentes para o Senado e o mandato dura oito anos.
Pessoa governadora
Cuida do dia a dia do estado e é responsável pela condução de políticas públicas em áreas como saúde, educação e segurança, a partir do orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa, à qual também encaminha os projetos relacionados ao planejamento e ao orçamento estadual. Além disso, coordena o Poder Executivo estadual, incluindo as secretarias estaduais, e pode sancionar ou vetar projetos de lei aprovados pela Assembleia.
Pessoa presidente
Está à frente do Poder Executivo federal, conduzindo a administração do país com o auxílio dos ministérios e executando políticas públicas nacionais a partir do orçamento aprovado pelo Congresso Nacional.
Representa o Brasil nas relações internacionais e atua em assuntos de interesse nacional, como o salário mínimo e as propostas de reformas tributárias e trabalhistas, cujas mudanças legislativas dependem da participação do Congresso, além de nomear pessoas para os ministérios e indicar autoridades para determinados cargos, alguns sujeitos à aprovação do Senado, como os do Supremo Tribunal Federal.
As informações sobre a sequência de votação e as atribuições dos cargos podem ser consultadas nas publicações do TSE sobre a ordem dos votos e do TRE-SP sobre as funções de cada representante.
A importância de participar
Para pessoas LGBTI+ e outros grupos que enfrentam discriminação e dificuldades de acesso a direitos, participar das eleições é uma forma de fazer com que suas necessidades sejam consideradas nas decisões políticas, já que a escolha de representantes influencia as leis, a destinação de verbas e a continuidade de políticas públicas e iniciativas de acolhimento e atendimento à população, como as desenvolvidas por organizações como a Somos.
"Na minha trajetória como assistente social, professor e ativista, aprendi que os direitos, especialmente os direitos sociais (saúde, educação, assistência social…) não nascem todos de uma vez e nem de uma vez por todas. Eles estão conectados a um tempo histórico e concreto, exigindo de nós a permanente afirmação deles como importantes. Por isso é fundamental votar em quem defende sua permanência e luta para que sejam cada vez mais ampliados. A defesa dos direitos compõe um projeto de sociedade e é preciso termos entendimento disso, do conteúdo dos discursos políticos em disputa.", explica o Assistente Social e Diretor Técnico da ONG Somos, Guilherme Ferreira.
Por isso, é importante observar quais pessoas candidatas demonstram compromisso com direitos sociais, considerando suas propostas, seus posicionamentos e seu histórico de ações. Representantes que ignoram essas demandas ou atuam contra elas podem contribuir para cortes de recursos, redução de serviços e retrocessos que tornam ainda mais difícil a vida de quem já enfrenta exclusões.
As pessoas eleitas assumem a responsabilidade de representar a população e exercer suas funções de acordo com as atribuições de cada cargo e com os direitos previstos em lei. Por isso, conhecer suas propostas, trajetórias e posicionamentos é importante para compreender as escolhas eleitorais e acompanhar sua atuação após as eleições.
Essa participação também se aplica às pessoas para quem o voto é facultativo, como jovens de 16 e 17 anos e pessoas com 70 anos ou mais, que também podem participar do processo eleitoral e ter suas demandas consideradas no debate público.
Na era da infodemia, em que o excesso de informações circulando inclui conteúdos falsos, enganosos ou danosos, é importante pesquisar, ler e buscar conhecimento em fontes confiáveis, sem depender apenas do que aparece nas redes sociais ou chega por mensagens.
Procure as fontes originais, confira a autoria, a data e o contexto das publicações e compare as informações com veículos jornalísticos confiáveis, órgãos públicos e iniciativas de checagem, especialmente antes de compartilhar conteúdos que possam influenciar outras pessoas.
Se informar é também uma forma de reconhecer a desinformação, avaliar as promessas de campanha e reunir conhecimento para defender seus direitos, fazendo escolhas com mais autonomia e consciência dos seus impactos.
E, claro, não deixe de cobrar das pessoas eleitas o cumprimento dos compromissos assumidos durante a campanha e de questionar suas ações quando contrariarem esses compromissos ou ameaçarem direitos. Política é coisa séria, envolve o nosso futuro, os espaços que vamos ocupar e o nosso direito de existir.
Texto: Daniela Monteiro




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